Estudo afirma que crianças que começam a namorar cedo são mais propensas a ter problemas comportamentais do que aquelas que demoram mais.

Sabe aquela brincadeira aparentemente inocente que todo adulto adora fazer com as crianças? “Quem é sua namorada?” ou “Com quem você vai casar?”.

Pois é, além de frequentemente ser constrangedora para a criança, ela é menos inocente do que parece, porque pode incentivar um comportamento ruim: o namoro de criança, precoce.

Um estudo divulgado pela Universidade York em Toronto, Canadá, revelou as consequências negativas para crianças que começam a namorar por volta dos 11 anos.

Quem participou da pesquisa

Foi um estudo de longo prazo (entre 1996 e 2003) que monitorou o desenvolvimento de 698 estudantes de 12 escolas da cidade.

A cada ano, eles recebiam um questionário sobre suas vidas amorosas.

A pesquisa dividiu os namoradores em três grupos: precoces, que começavam por volta dos 11.6 anos; padrão, que começavam com 12.9 anos e tardios, por volta dos 14.9. Do total, 20% das crianças foram consideradas precoces e 25% tardias, ou seja, a maioria foi padrão.

No último grupo, o dos tardios, descobriu-se, ainda, que as meninas eram em geral mais velhas que os meninos, sendo que elas começavam a namorar por volta dos 15.5.

Resultados

De acordo com as conclusões, crianças que começaram a namorar por volta dos 11 anos estão em um grupo de risco quando o assunto é comportamento.

Depois de crescerem, estas crianças precoces têm uma probabilidade duas vezes maior de se envolverem em sexo sem proteção, uso de álcool e outros comportamentos de risco.

Outro comportamento nocivo é o fato de elas apresentaram uma tendência maior ao ócio e a se envolverem em brigas. Por fim, a pesquisa descobriu que o namoro de criança também as torna adolescentes mais propensos a mentir, enganar e fugir de casa.

Em contrapartida, as crianças padrão, as que esperam que o amor brote naturalmente, se mostraram adolescentes sem maiores dificuldades sociais ou emocionais como resultado de suas interações. Já os tardios não apresentaram nenhum impacto negativo em consequência por terem demorado a começar seus relacionamentos amorosos.

Na verdade, este grupo demonstrou que, uma vez iniciado o romance, ele se encaminha para algo mais sério de forma mais rápida do que os outros grupos.

E mais: a investigação demonstrou uma correlação entre o namoro tardio e o sucesso acadêmico. Ou seja, dos adolescentes que apresentaram melhores notas, a probabilidade de eles serem namoradores tardios era maior.

Por que isso acontece?

Para os pesquisadores, um relacionamento é um relacionamento e trará tensão independentemente da idade e pré-adolescentes não estão prontos para lidar com o estresse que relacionamentos trazem. É importante garantir que seu filho amadureça antes de permitir que ele se envolva em um namoro de criança com alguém.

É possível inferir o motivo. Imagine começar um namoro com alguém tendo ainda várias características da infância? Não é uma questão de querer que adolescentes tenham compromissos demasiadamente sérios, afinal, todos nós sabemos que um namoro de criança envolve muitos comportamentos infantis. Entretanto, começar um namoro cedo demais pode consolidar uma forma excessivamente infantilizada e fragilizada de lidar com o outro, sem que estas pessoas tenham o tempo necessário para entender o que é, de fato, um relacionamento afetivo.

Este estudo confirma o que tem se falado: é necessário desacelerar o processo de “adultização” de nossas crianças e pré-adolescentes. Precisamos deixar que eles vivam as fases de desenvolvimento de forma plena, sem forçá-los ou encorajá-los a amadurecer em uma velocidade na qual não estão prontos. Assim, teremos adultos mais responsáveis e felizes em seus relacionamentos, algo que fará outros adultos felizes e, portanto, uma sociedade mais agradável.